Fluido Cósmico Universal e os Espíritos Cocriadores – Parte I

I – Introdução

O termo Fluido Cósmico Universal, ou Fluido Universal, ou modernamente Energia Cósmica Universal, foi primeiramente utilizado em O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec, em 1857. A definição de Fluido Cósmico Universal baseado na Questão 27, respondido pelos Espíritos Superiores, é a seguinte:

Kardec: Há então dois elementos gerais no Universo: A Matéria e o Espírito?

Resposta: Sim e acima de tudo Deus, o Criador, o Pai de todas as coisas. Deus, Espírito e Matéria, constituem o princípio de tudo o que existe, a Trindade Universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o Fluido Universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria própriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais.

Se o Fluido Universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima.

Esse Fluido Universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá → segundo o Espiritismo, tal matéria ou energia é extremamente quintessenciada, encontrando-se em todos os pontos do Universo, possibilitando, assim, a origem de matérias diversas, inclusive mais densas → esse fluido é suscetível de inúmeras combinações → O que chamais Fluido Elétrico, Fluido Magnético, são modificações do Fluido Universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente.

II – O Fluido Cósmico Universal e os Espíritos Co-Criadores

II.1 – Gênese – Cap. VI – Uranografia* Geral

A Criação Universal

Após haver remontado, tanto quanto o permitia a nossa fraqueza, em direção à fonte oculta donde dominam os mundos, como de um rio as gotas de água, consideremos a marcha das criações sucessivas e dos seus desenvolvimentos seriais.

A matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade, e desta é a origem da mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó e, sobretudo, a eterna geratriz. Absolutamente não desapareceu essa substância donde provêm as esferas siderais; não morreu essa potência, pois que ainda, incessantemente, dá à luz novas criações e incessantemente recebe, reconstituídos, os princípios dos mundos que se apagam do livro eterno (vide Item II.6- Impérios Estelares).

A substância etérea, mais ou menos rarefeita, que se difunde pelos espaços interplanetários; esse fluido cósmico que enche o mundo, mais ou menos rarefeito, nas regiões imensas, ricas de aglomerações de estrelas; mais ou menos condensado onde o céu astral ainda não brilha; mais ou menos modificado por diversas combinações, de acordo com as localidades da extensão, nada mais é do que a substância primitiva onde residem as forças universais, donde a natureza há tirado todas as coisas.

Esse fluido penetra os corpos, como um oceano imenso. É nele que reside o princípio vital que dá origem à vida dos seres e a perpetua em cada globo, conforme a condição deste, princípio que, em estado latente, se conserva adormecido onde a voz de um ser não o chama.

Toda criatura, mineral, vegetal, animal ou qualquer outra, porquanto há muitos outros reinos naturais, de cuja existência nem sequer suspeitais sabe, em virtude desse princípio vital e universal, apropria as condições de sua existência e de sua duração.

*Uranografia – Ciência que descreve e estuda os Fenômenos Celestes; Astronomia.

André Luiz no Livro “Evolução em Dois Mundos”, Cap.1, define que:

Plasma Divino

O Fluído Cósmico é o Plasma Divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio. Nesse Elemento Primordial, vibram e vivem Constelações e Sóis, Mundos e Seres, como peixes no oceano.

II.2 – Espíritos Co-Criadores

Nessa Substância Original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indestrutível, os grandes Devas da Teologia Hindu, ou os Arcanjos, ou os Messias,…….. da interpretação de variados Templos Religiosos, extraindo desse hálito espiritual os celeiros da energia com que constroem os sistemas da Imensidade, em serviço de Co-Criação em Plano Maior, de conformidade com os desígnios do Todo-Misericordioso, que faz deles agentes Co-Orientadores da Criação Excelsa.

Essas Inteligências Gloriosas tomam o Plasma Divino e convertem-no em habitações cósmicas, de múltiplas expressões, radiantes ou obscuras, gaseificadas ou sólidas, obedecendo a leis predeterminadas, quais moradias que perduram por milênios e milênios, mas que se desgastam e se transformam, por fim, de vez que o Espírito Criado pode “Formar” ou “Co-Criar”, mas só Deus é o Criador de Toda a Eternidade.

Co-Criação em Plano Menor

Em análogo alicerce, as Inteligências humanas que ombreiam conosco utilizam o mesmo Fluído Cósmico, em permanente circulação no Universo, para a Co-Criação em Plano Menor, assimilando os corpúsculos da matéria com a Energia Espiritual que lhes é própria, formando assim o veículo fisiopsicossomático em que se exprimem ou cunhando as civilizações que abrangem no mundo a humanidade Encarnada e a Humanidade Desencarnada.

Dentro das mesmas bases, plasmam também os lugares entenebrecidos pela purgação infernal, gerados pelas mentes desequilibradas ou criminosas nos círculos inferiores e abismais, e que valem por aglutinações de duração breve, no microcosmo em que estagiam, sob o mesmo princípio de comando mental com que as Inteligências Maiores modelam as edificações macrocósmicas, que desafiam a passagem dos milênios.

Os Messias e Jesus

Cap.1 – Fluido Cósmico – Livro “Evolução em Dois Mundos – André Luiz e Chico Xavier- FEB 1958 “

Existem Espíritos Puros, agregadas ao Senhor Supremo (Deus), transformando o Fluido Cósmico (Plasma Divino) em habitações cósmicas de múltiplas expressões → A Criação dos Mundos Físicos e respectivas Esferas Espirituais, são criados por estes “Messias”, que agem conforme a determinação do Pai Altíssimo.

Operam em processo de Co-Criação de acordo com os desígnios do Todo-Poderoso (Deus), que faz deles agentes orientadores da Criação Excelsa → Estes Espíritos são conhecidos na Tradição do Povo Hebreu como os Messias → Jesus é portanto um destes Messias, que criou a Terra e tem outros Orbes sob a sua direção (João 10:16).

Espíritos Lacordaire na “Revista Espírita de 1862” e São Luiz na “Revista Espírita de 1868”

Ambos falam que ao lado de Deus estão Espíritos Puros, chegados ao maior nível possível da Hierarquia Celeste e que fazem parte do Conselho do Altíssimo. Estes Espíritos quando enviados em Missões Específicas não falham jamais → Jesus é, portanto, um destes Espíritos e, consequentemente, é o Espírito de maior hierarquia no Planeta Terra;

Reuniões dos Messias – Cap.1 – A Gênese Planetária – e Cap.24 – O Espiritismo e as Grandes Transições – Livro “ A Caminho da Luz – Emmanuel e Chico Xavier – FEB 1939”

A Comunidade dos Messias, que dirige as rédeas diretoras da vida de todas as Coletividades Planetarias, já se reuniu duas vezes no Sistema Solar: A primeira por ocasião da formação da Terra e a segunda
para a vinda de Jesus ao Planeta Terra → Jesus pertence a esta Comunidade de Espíritos Puros;

terceira reunião ocorrerá por ocasião da Transição da Terra para Planeta de Regeneração → vide Mateus – 24:1 a 31 e Lucas – 21:5 a 28 – Grandes Tribulações; Comparar com Isaias 13:10 – Migração para outros Mundos → ver também Lucas 17:20 a 37 – A Vinda do Reino.

O Divino Escultor da Terra*

Jesus, que é um dos Messias, havia vencido todos os pavores das energias desencadeadas; com as suas Legiões de Trabalhadores Divinos (vide Nota 1), lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco de matéria informe, que a Sabedoria do Pai deslocara do Sol para as suas mãos augustas e compassivas.

Operou a escultura geológica do orbe terreno, talhando a escola abençoada e grandiosa, na qual o seu coração haveria de expandir-se em amor, claridade e justiça. Com os seus Exércitos de Ttrabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhes o equilíbrio futuro na base dos corpos simples de matéria, cuja unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam identificar por toda a parte no universo galáctico.

Organizou o cenário da vida, criando, sob as vistas de Deus, o indispensável à existência dos seres do porvir. Fez a pressão atmosférica adequada ao homem, antecipando-se ao seu nascimento no mundo, no curso dos milênios; estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera, onde se harmonizam os fenômenos elétricos da existência planetária, e edificou as usinas de ozônio a 40 e 60 Km de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares, manipulando-lhes a composição precisa à manutenção da vida organizada no orbe.

Definiu todas as linhas de progresso da humanidade futura, engendrando a harmonia de todas as forças físicas que presidem ao ciclo das atividades planetárias.

Segundo a Ciência Terrestre a Terra possui em torno de 4.5 bilhões de anos. Portanto Jesus e a Legião dos Espíritos Redimidos e Santificados que cooperam com o Divino Mestre, desde os primeiros dias da organização terrestre, já existiam antes da formação da Terra, tendo se sublimados em outros Sistemas Planetários, os quais possivelmente já não mais existem (vide II.6 – Impérios Estelares).

O Verbo na Criação da Terra

A ciência do mundo não lhe viu as mãos augustas e sábias na intimidade das energias que vitalizam o organismo do Globo. Substituíram-lhe a providência com a palavra “natureza”, em todos os seus estudos e análises da existência, mas o seu amor foi o “Verbo” da criação do princípio, como é e será a coroa gloriosa dos seres terrestres na imortalidade sem fim. E quando serenaram os elementos do mundo nascente, quando a luz do Sol beijava, em silêncio, a beleza melancólica dos continentes e dos mares primitivos, Jesus reuniu nas Alturas os intérpretes divinos do seu pensamento. Viu-se, então, descer sobre a Terra, das amplidões dos espaços ilimitados, uma nuvem de forças cósmicas, que envolveu o imenso laboratório planetário em repouso.

Daí a algum tempo, na crosta solidificada do planeta, como no fundo dos oceanos, podia-se observar a existência de um elemento viscoso que cobria toda a Terra.

Estavam dados os primeiros passos no caminho da vida organizada. Com essa massa gelatinosa, nascia no orbe o protoplasma e, com ele, lançara Jesus à superfície do mundo o germe sagrado dos primeiros homens.

As Construções Celulares

Sob a orientação misericordiosa e sábia do Cristo, laboravam na Terra numerosas Assembleias de Operários Espirituais (Vide Nota 1).

Como a engenharia moderna, que constrói um edifício prevendo os menores requisitos de sua finalidade, os artistas da espiritualidade edificavam o mundo das células iniciando, nos dias primevos, a construção das formas organizadas e inteligentes dos séculos porvindouros.

O ideal da beleza foi a sua preocupação dos primeiros momentos, no que se referia às edificações célulares das origens. É por isso que, em todos os tempos, a beleza, junto à ordem, constituiu um dos traços indeléveis de toda a criação.

As formas de todos os reinos da natureza terrestre foram estudadas e previstas. Os fluidos da vida foram manipulados de modo a se adaptarem às condições físicas do planeta, encenando-se as construções celulares segundo as possibilidades do ambiente terrestre, tudo obedecendo a um plano preestabelecido pela misericordiosa sabedoria do Cristo, consideradas as leis do princípio e do desenvolvimento geral → este texto de Emmanuel tem muita semelhança com os espíritos que manipulam as Energias da natureza, tais como os Orixás* ou outros tipos de energia como os Mestres Ascensos**.

Fonte

*A “Sociedade Espiritualista Mata Virgem” define que:

  • O planeta em que vivemos, e todos os mundos dos planos materiais, se mantêm vivos através do equilíbrio entre as energias da natureza. A harmonia planetária só é possível devido a um intrincado e imenso jogo energético entre os elementos químicos que constituem estes mundos e entre cada um dos seres vivos que habitam estes planetas;
  • Um dado característico do exercício da Religião de Umbanda é o uso, como fonte de trabalho, destas energias. Vivendo no Planeta Terra, o homem convive com Leis desde sua origem e evolução, são Leis que mantêm a vitalidade, a criação e a transformação, dados essenciais à vida como a vemos desenvolver-se a cada segundo. Sem essa harmonia energética o planeta entraria no caos;
  • O fogo, o ar, a terra e a água são os elementos primordiais que, combinados, dão origem a tudo que nossos corpos físicos sentem, assim como também são constituintes destes corpos;
  • Esses elementos e suas ramificações são comandados e trabalhados por Entidades Espirituais que vão desde os Elementais (Espíritos em transição atuantes no Grande Laboratório Planetário), até aos Espíritos Superiores que inspecionam, comandam e fornecem o Fluido Vital para o trabalho constante de Criar, Manter e Transformar a dinâmica evolutiva da vida no Planeta Terra;
  • A estes Espíritos de alta força vibratória chamamos Orixás, usando um vocábulo de origem Yorubana. Na Umbanda são tidos como os maiores responsáveis pelo equilíbrio da natureza. São conhecidos em outras partes do mundo como “Ministros” ou “Devas”, Espíritos de Alta Vibração evolutiva que cooperam diretamente com Deus, fazendo com que Suas Leis sejam cumpridas constantemente, atuando sempre sob a supervisão do Orixá Maior que é Oxalá, o qual é o próprio Governador Planetário da Terra que é Jesus (vide Nota 1).

** Em cada Chama Sagrada ou Esfera de Luz trabalham, incessante e amorosamente, Mestres, Seres perfeitos do Reino Humano, Angélico e Elemental, que de acordo com as suas afinidades e potencialidades, escolhem a Chama no qual irão servir. Os Mestres Ascensionados são “Entidades Espirituais” que tiveram a sua Ascensão no Planeta Terra como Mestre Hilarion, da Chama Verde, e Mestra Nada, da Chama Rubi.

Os Mestres Ascensos são diferentes dos “Sagrados Orixás”, os quais são os Espíritos Santificados que vieram com Jesus fundar o Planeta Terra, e cuja Evolução e Ascensão ocorreu em Outros Orbes Planetários e não no Planeta Terra.

II.3 – As Raças Adâmicas

Tendo ouvido a palavra do Divino Mestre antes de se estabelecerem no mundo, as Raças Adâmicas, nos seus grupos insulados, guardaram a reminiscência das promessas do Cristo no Orbe de Capela, que, por sua vez, as fortaleceu no seio das massas, enviando-lhes periodicamente os seus “Missionários e Mensageiros”. Eis por que as epopeias do Evangelho foram previstas e cantadas alguns milênios antes da vinda do Sublime Emissário.

Os enviados do Infinito falaram, na China milenária, da celeste figura do Salvador, muitos séculos antes do advento de Jesus. Os iniciados do Egito esperavam-no com as suas profecias. Na Pérsia, idealizaram a sua trajetória, antevendo-lhe os passos nos caminhos do porvir; na Índia védica, era conhecida quase toda a história evangélica, que o sol dos milênios futuros iluminaria na região escabrosa da Palestina, e o povo de Israel, durante muitos séculos, cantou-lhe as glórias divinas, na exaltação do amor e da resignação, da piedade e do martírio, através da palavra de seus profetas mais eminentes.

Uma secreta intuição iluminava o espírito divinatório das massas populares. Todos os povos o esperavam em seu seio acolhedor; todos o queriam, localizando em seus caminhos a sua expressão sublime e divinizada. Todavia, apesar de surgir um dia no mundo, como Alegria de todos os tristes e Providência de todos os infortunados, à sombra do trono de Jessé, o Filho de Deus em todas as circunstâncias seria o Verbo de Luz e de Amor do Princípio, cuja genealogia se confunde na poeira dos sóis que rolam no Infinito.

Entre as considerações acima e as do capítulo precedente, devemos ponderar o interstício de muitos séculos. Aliás, no que se refere à historicidade das raças adâmicas, será justo meditarmos atentamente no problema da fixação dos caracteres raciais. Apresentando o meu pensamento humilde, procurei demonstrar as largas experiências que os operários do Invisível levaram a efeito, sobre os complexos celulares, chegando a dizer da impossibilidade de qualquer cogitação Mendelista nessa época da evolução planetária. Aos prepostos de Jesus foi necessária grande soma de tempo, no sentido de fixar o tipo humano. Assim, pois, referindo-nos ao degredo dos emigrantes da Capela, devemos esclarecer que, nessa ocasião, já o Primata Hominis se encontrava arregimentado em tribos numerosas. Depois de grandes experiências, foi que as migrações do Pamir se espalharam pelo orbe, obedecendo a sagrados roteiros, delineados nas Alturas. Quanto ao fato de se verificar a reencarnação de Espíritos tão avançados em conhecimentos, em corpos de raças primigênias, não deve causar repugnância ao entendimento.

Lembremo-nos de que um metal puro, como o ouro, por exemplo, não se modifica pela circunstância de se apresentar em vaso imundo, ou disforme. Toda oportunidade de realização do bem é sagrada.

II.4- A Civilização Egípcia

Dentre os Espíritos degredados na Terra, os que constituíram a Civilização Egípcia foram os que mais se destacavam na prática do Bem e no culto da Verdade. Aliás, importa considerar que eram eles os que menos débitos possuíam perante o tribunal da Justiça Divina. Em razão dos seus elevados patrimônios morais, guardaram no íntimo uma lembrança mais viva das experiências de sua pátria distante.

Um único desejo os animava, que era trabalhar devotadamente para regressar, um dia, aos seus penates resplandecentes. Uma saudade torturante da sua pátria original foi a base de todas as suas organizações religiosas. Em nenhuma civilização da Terra o culto da morte foi tão altamente desenvolvido.

Em todos os corações morava a ansiedade de voltar ao orbe distante, ao qual se sentiam presos pelos mais santos afetos. Foi por esse motivo que, representando uma das mais belas e adiantadas civilizações de todos os tempos, as expressões do antigo Egito desapareceram para sempre do plano tangível do planeta. Depois de perpetuarem nas Pirâmides os seus avançados conhecimentos, todos os Espíritos daquela região africana regressaram à pátria sideral.

Em virtude das circunstâncias mencionadas, os Egípcios traziam consigo uma ciência que a evolução da época não comportava. Aqueles grandes mestres da antiguidade foram, então, compelidos a recolher o acervo de suas tradições e de suas lembranças no ambiente reservado dos Templos, mediante os mais terríveis compromissos dos iniciados nos seus mistérios.

Os conhecimentos profundos ficaram circunscritos ao circulo dos mais graduados sacerdotes da época, observando-se o máximo cuidado no problema da iniciação. A própria Grécia, que aí buscou a alma de suas concepções cheias de poesia e de beleza, através da iniciativa dos seus filhos mais eminentes, no passado longínquo, não recebeu toda a verdade das ciências misteriosas. Tanto é assim, que as iniciações no Egito se revestiam de experiências terríveis para o candidato à ciência da vida e da morte fatos esses que, entre os gregos, eram motivo de festas inesquecíveis.

Os Sábios Egípcios conheciam perfeitamente a inoportunidade das grandes revelações espirituais naquela fase do progresso terrestre; chegando de um mundo de cujas lutas, na oficina do aperfeiçoamento, haviam guardado as mais vivas recordações; os sacerdotes mais eminentes conheciam o roteiro que a Humanidade terrestre teria de realizar. Aí residem os mistérios iniciáticos e a essencial importância que lhes era atribuída no ambiente dos Sábios daquele tempo.

O Politeísmo Simbólico ou Henoteísmo

Nos círculos esotéricos, onde pontificava a palavra esclarecida dos grandes mestres de então, sabia-se da existência do Deus Único e Absoluto, Pai de todas as criaturas e Providência de todos os seres, mas os sacerdotes conheciam, igualmente, a função dos *Espíritos prepostos de Jesus (vide Nota 1, pag 10), na execução de todas as Leis Físicas e Sociais da existência planetária, em virtude das suas experiências pregressas.

Desse ambiente reservado de ensinamentos ocultos, partiu, então, a ideia politeísta destes numerosos *Deuses, que seriam os Senhores da Terra e do Céu, do Homem e da Natureza.

As massas requeriam esse politeísmo simbólico, nas grandes festividades exteriores da religião. Já os sacerdotes da época conheciam essa fraqueza das Almas jovens, de todos os tempos, satisfazendo-as com as expressões esotéricas de suas lições sublimadas.

Dessa ideia de homenagear as forças invisíveis que controlam os fenômenos naturais, classificando-as para o espírito das massas, na categoria dos deuses, é que nasceu a Mitologia da Grécia, ao perfume das árvores e ao som das flautas dos pastores, em contato permanente com a Natureza.

O Conceito do Henoteísmo (do Grego transliterado hen theos, “um Deus”) é o culto de um único Deus sem negar a existência de outras Divindades. Friedrich Schelling (1775–1854) cunhou o termo, e Friedrich Welcker (1784–1868) o usou para descrever o Monoteísmo primordial entre os antigos Gregos.

O termo foi popularizado pelo Orientalista e Estudioso das Religiões Max Müller (1823-1900) para designar a crença em um Deus Único, mesmo aceitando a existência possível de outros Deuses.

Seu objetivo era estudar comparativamente as Religiões Orientais e o Monoteísmo Judaico, Islâmico e Cristão, contestando a “Superioridade Teológica” da Igreja Católica deste perante outras concepções de Divindade.

Embora existam inúmeras divindades em todo o Panteão Egípcio, para o adorador comum, havia apenas uma Divindade adorada, embora outras fossem reconhecidas como existentes. Isso torna a Religião Egípcia na prática como o “Henoteísmo”, e não como “Politeísmo”.

Enquanto a maioria das Divindades refletiam funções cosmológicas e naturais, os efeitos divinos controladores do Universo Egípcio eram de natureza Espirituais como:

  • Justiça e Harmonia
  • Expressão Controladora de todos os Seres e de tudo no Universo
  • Percepção e Sensibilidade
  • Magia e Poder de Criação

Sem esses poderes obtidos da Divindade Central ou Principal, nenhuma Divindade Auxiliar poderia funcionar, e esses poderes controlavam o Universo, independentemente dos Deuses → Leis Divinas estabelecidas pelo Altíssimo → Praticamente são conceitos identicos ao da “Umbanda Brasileira”.

(a)

(b)

Fig.1 – O Tribunal de Osíres e algumas Divindades Egípcias

As Divindades Egípcias se relacionam umas com as outras para efetuar a ordem contínua do mundo.

Assim, Ra, o Deus-Sol, deve interagir todas as noites com sua contraparte no submundo, Osíris, a Divindade preocupada com a morte e a decadência, para que ambos sejam renovados e, assim, “reiniciem” a criação novamente em uma base diária.

**Alguns Autores como Hornung descreve tal interação como “Complementaridade”, enquanto Assmann descreve esta relação como “Constelativa”, onde Divindades interagem para propósitos específicos e então agem independentemente em outras ocasiões.

Além disso, cada Divindade abrange seu oposto como parte de sua natureza. Assim, uma Divindade como Sutekh (Seth), que é vista como a natureza do caos e da desordem (todos os traços indesejáveis), também é uma função necessária do Universo, pois somente ele pode superar entidades, como Apep, a Cobra-Demônio que ameaça destruir a própria existência durante a jornada noturna de Rá. Em suma, a natureza caótica de Sutekh traz uma ordem final.

**Esta teoria também tem muita semelhança com os Orixás.

Criação do Universo

Criação por palavra ou ação, como a Luz movendo-se sobre as águas (Neith de Sais); dar significado a algo (Ptah de Memphis); expelindo ar ou “Fluidos” internos para criar o universo (Atum de Heliópolis); moldando a humanidade a partir do “Barro” (Khnum de Esna) → Ideias copiadas por Moidsés e os Sacerdotes Hebreus.

O conceito de que o Universo se originou de um “Único Criador”, que existe sozinho e em um lugar central. Que toda a vida gira em torno deste “Centro” e um dia retornará ao Centro e à Divindade de onde surgiu o Universo → “Gravitar para a Unidade Divina, eis objetivo da Humanidade. Para atingi-lo, três coisas são necessárias: A Justiça, o Amor e a Ciência. Três coisas lhe são opostas e contrárias: A Ignorância, o Ódio e a Injustiça” – Paulo Apóstolo no Livro dos Espíritos.

O Culto da Morte e a Metempsicose

Um dos traços essenciais desse grande povo foi a preocupação insistente e constante da morte. A sua vida era apenas um esforço para bem morrer. Seus papiros e afrescos estão cheios dos consoladores mistérios do além-túmulo.

Era natural. O grande povo dos faraós guardava a reminiscência do seu doloroso degredo na face obscura do mundo terreno. E tanto lhe doía semelhante humilhação, que, na lembrança do pretérito, criou a teoria da metempsicose, acreditando que a alma de um homem podia regressar ao corpo de um irracional, por determinação punitiva dos deuses. A metempsicose era o fruto da sua amarga impressão, a respeito do exílio penoso que lhe fora infligido no ambiente terrestre.

Inventou-se, desse modo, uma série de rituais e cerimônias para solenizar o regresso dos seus irmãos à pátria espiritual. Os mistérios de Ísis e Osíris mais não eram que símbolos das forças espirituais que presidem aos fenômenos da morte*.

– Existe um local físico para onde os mortos vão após a morte e que, para chegar a esse lugar, os atos morais de alguém em vida funcionam como uma chave para entrar. Se moralmente correto, pode-se esperar uma recompensa completa da existência eterna.

O conceito de punição na vida após a morte, por más ações ou afrontas à Divindade, surge das imagens Egípcias da vida após a morte que se desenvolveram após o período de Amarna, que mostrava dor e sofrimento eternos, não apenas esquecimento.

Até o período *Amarna, apenas o Faraó tinha uma relação direta com o Divino e agia como intermediário em nome da população do Reino → Conceito copiado pela Igreja Católica.

No entanto, os Deuses eram considerados como existindo na Terra com os homens e julgavam a Comunidade baseados nos Conceitos de Justiça e Harmonia. Assim, defender esses valores morais eram o objetivo de todo gípcio, desde o escravo até ao Faraó.

Mesmo na morte, o Egípcio confiava em seu Rei para buscar sua libertação na vida após a morte. Esse aspecto mudou depois do Império Antigo, quando os livros da vida após a morte, como o Livro dos Dois Caminhos, os Textos dos Caixões e outros “Livros dos Mortos” tornaram-se amplamente disponíveis para as pessoas que não eram da realeza. Este desenvolvimento é conhecido como a “Democratização da Vida após a Morte”.

No entanto, foi durante o período Amarna, quando o Faraó Akhenaton proibiu a realização de certos cultos e festivais de Divindades, que se viu o surgimento da piedade pessoal ou o surgimento do conceito de Caridade.

– O Período de Amarna foi uma era da História Egípcia durante a qual o Faraó Akhenaton proibiu o culto aos vários Deuses do Panteão Egípcio.

O Panteão Egípcio foi restaurado por Tutankhamon que foi o sucessor de Akhenaton.

Fig.2 – A barca da morte

A Redenção

Depois dessa edificação extraordinária, os grandes iniciados do Egito voltam ao plano espiritual, no curso incessante dos séculos. Com o seu regresso aos mundos ditosos da Capela, vão desaparecendo os conhecimentos sagrados dos Templos Tebanos, que, por sua vez, os receberam dos grandes sacerdotes de Mênfis.

Aos mistérios de Ísis e de Osíris, sucedem-se os de Elêusis, naturalmente transformados nas iniciações da Grécia antiga. Em algumas centenas de anos, reuniram-se de novo, nos planos espirituais, os antigos degredados, com a sagrada bênção do Cristo, seu patrono e salvador. A maioria regressa, então, ao sistema da Capela, onde os corações se reconfortam nos sagrados reencontros das suas afeições mais santas e mais puras, mas grande número desses Espíritos, estudiosos e abnegados, conservaram se nas hostes de Jesus, obedecendo a sagrados imperativos do sentimento e, ao seu influxo divino, muitas vezes têm reencarnado na Terra, para desempenho de generosas e abençoadas missões.

Nota 1

Livro “O Consolador”- Emmanuel e Chico Xavier

João referia-se ao Criador (Deus), a Jesus, que constituía para a Terra a sua mais perfeita personificação, e à Legião dos Espíritos Redimidos e Santificados que cooperam com o Divino Mestre, desde os primeiros dias da organização terrestre, sob a misericórdia de Deus → possivelmente estes Espíritos sejam os Orixás, que podem ser inclusive não um Espírito individual propriamente dito, mas uma Legião de Espíritos de acordo com o respectivo Trono Divino → Podem ser Espíritos oriundos de outros Orbes Planetários como Sírius, Órion e Capela → não confundir Orixás com as Linhas de Umbanda, pois são Conceitos diferentes.

Fonte

A Caminho da Luz – Emmanuel e Chico Xavier- FEB 1939

II.5 – Impérios Estelares

Devido à atuação desses Arquitetos Maiores (Messias), surgem nas Galáxias** , as Organizações Estelares como vastos continentes do Universo em evolução e as nebulosas intergalácticas como imensos domínios do Universo, encerrando a evolução em estado potencial, todas gravitando ao redor de pontos atrativos, com admirável uniformidade coordenadora.

É aí, no seio dessas formações assombrosas, que se estruturam, inter-relacionados, a matéria, o espaço e o tempo, a se renovarem constantes, oferecendo campos gigantescos ao progresso do Espírito.

** Galáxias são sistemas formados por uma vasta quantidade de estrelas (Sol), poeira, gases e matéria escura. Esse conjunto de elementos é unido pela força da gravidade. Algumas galáxias, em especial aquelas de maiores dimensões, possuem grandes Buracos Negros no seu centro, como é o caso daquela em que vivemos, a Via Láctea.

As galáxias podem ocorrer e evoluir isoladamente ou agrupadas, passando por processos de interação e até mesmo colisão, o que dá origem a supernovas, estrelas e novos buracos negros. Elas se diferenciam ainda em extensão, forma e peso. A mais leve das galáxias, de acordo com a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos, a NASA, possui um bilhão de massas solares (Мʘ), enquanto as mais pesadas ficam em torno de 30 trilhões Мʘ. A massa solar é uma unidade de medida usada para calcular a massa de estrelas e galáxias, e corresponde a 1,99 x 1030 kg.

As galáxias não são estáticas no tempo-espaço, e tampouco duram para sempre. Elas evoluem de forma isolada ou em grupo, o que é observado sobretudo por meio de sua forma e das cores que elas exibem. Aquelas que não interagem com outros corpos semelhantes vão gradualmente deixando de formar estrelas, e seu brilho se transforma de intenso para fraco com o passar do tempo, e a sua coloração aparece mais avermelhada.

Quando esses conjuntos interagem, o que ocorre é a sua colisão ou junção. Nesse processo não ocorre a destruição de corpos celestes, mas sim a interligação de um sistema com o outro, que pode ou não condicionar a formação de novas estrelas e supernovas, as quais fornecerão material para o surgimento de outras estrelas. Quando as galáxias se juntam, há transformação no seu formato, na sua massa e, é claro, na sua composição.

Galáxia de Andrômeda (galáxia elíptica)

Via Láctea (galáxia espiral)

Fig.3 – Galáxias

Fonte

Galaxias – Brasil Escola

** O Sol Central da Galaxia emitiu Poderosa Onda de Energia- 20/05/2020

O Buraco Negro central da nossa galáxia emite regulares e misteriosas explosões de raios-X. Pela primeira vez, o novo telescópio NuSTAR- Nuclear Spectroscopic Telescope da NASA com o foco mais agudo, captou uma visão da emissão da alta energia em ação.

O novo telescópio NuSTAR- Nuclear Spectroscopic Telescope, da NASA, gravou esta expansão violenta de energia emitida pelo supermassivo buraco negro chamado de Sagitário A do Centro da nossa Galáxia Via Láctea no final de julho. A imagem de fundo mostra um amplo campo de visão, em infravermelho do centro da Galáxia. Inserções de zoom no buraco negro gravou como a energia se inflama desde o centro em repouso, explodindo ara em seguida, desaparecer.

Fig.4 – Energias do Sol Central

Fonte

Nasa, Nustar e Sky & Telescope

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