Compilação baseada, de modo resumido no Cap.32 – Numa cidade Celeste, Livro “Luz Acima”, Humberto de Campos e Chico Xavier, FEB, 1948.
Tema Principal – Evolução Espiritual
I – Introdução
O conceito de Paraíso está encrustado de modo asfixiante no ser humano, de um modo geral, correlacionando o Paraíso nos Céus a uma total paralisia e letargia da continuação da vida no plano espiritual. O repouso final no Paraíso Celestial, representa para muitas mentes estacionadas em conceitos dogmáticos criados pelos próprios homens, um descansar até a eternidade, um esquecer-se das suas obrigações, enfim, um conceito de ociosidade total de modo a se embriagar no Êxtase Divino.
Neste relato de Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier, um “crente” é despertado para o real sentido da vida no mundo espiritual, de modo a livra-lo deste conceito arcaico que prejudica a evolução do Espírito como um todo → Hermes Trimegisto, Sacerdote do antigo Egito, já falava em sua segunda Lei da Correspondência, que aquilo que está em cima é igual ao que está em baixo, ou seja, para os Espíritos ainda em evolução, existem verdadeiras cidades espirituais que muito se parecem com as cidades terrestres do plano físico.
II – A Vida na Cidade Celeste
O Crente, quando encarnado, fora um trabalhador honesto e consciente com as suas obrigações diárias, em todos os campos humanos de atividades, combatendo as próprias paixões, distribuindo benefícios sem cogitar de nenhum tipo de recompensa, humilhando-se sempre em benefício do próximo, renunciando sempre que as circunstâncias lhe aconselhavam serenidade e renúncia. Contudo, acalentava a ideia, errônea como citada na Introdução deste artigo, de repousar e anestesiar-se em “Êxtase Divino”, para sempre, no Paraíso Celestial.
Morreu, sem nenhum tipo de medo, confiando sempre na misericórdia e justiça do Divino Mestre, se desprendendo dos liames da carne. Parecia uma andorinha humana a buscar jubilosamente a primavera em outras paragens. Ao desencarnar, com tantos méritos, notou que prodigioso fio de luz mostrava-lhe o caminho do túmulo até aos portais de uma cidade nimbada de luz. Ao chegar a estes portais, é recebido por um simpático Mensageiro, o qual lhe dá as boas vindas.
O Visitante, premido pela emoção, ao penetrar os “Pórticos Celestes” nota que na cidade espiritual havia luzes e felicidades no ambiente, porém havia também sinais de trabalhos, como ruídos de atividades salutar e sons de campainhas inquietas a chamar para os clarins de serviço, mostrando-lhe o burburinho análogo ao de uma grande Metrópole Terrestre.
Assustado e perturbado, pergunta ao Mensageiro se ali era mesmo o Paraíso, recebendo como resposta que estavam em uma Cidade Espiritual. A seguir, o Crente recém-desencarnado, pergunta: Aqui se trabalha como na Terra? Novamente o Mensageiro explica-lhe que ali se trabalha e muito.
Não se conformando com a resposta, o Crente pergunta novamente: Nesta cidade existem horários, distribuições de tarefas, responsabilidades individuais, disposições de leis, lutas e conflitos? O Mensageiro afirma-lhe que morte da carne não purifica o espírito instantaneamente e milagrosamente. Que na vida espiritual existem enormes quantidades de trabalho a fazer, e que o repouso para o Espírito é lição de reparo ou de estímulo, com a felicidade não se cristalizando em altares imóveis → na Cidade Espiritual existem:
- Chefia e Subalternidade, com servidores executando funções com elevado padrão de justiça e aproveitamento;
- Estudos e Provas, Especializações e Obrigações de vários tipos;
- Reparações, Punições, Desequilíbrios e Dificuldades ↔ onde ainda pode existir os erros existem ações para a corrigenda necessária, porém baseadas no esclarecimento e na misericórdia;
- A medida que o Espírito mais se destaca, mais trabalho pela frente encontrará, embora em níveis mais elevados;
- Melhoria dos piores pelos melhores, visando a solidariedade, a melhoria e a reconstrução de atitudes e pensamentos ↔ atendimento dos imperativos divinos da vida, pois somente o Pai é o Absoluto. Altamente surpreendido com a resposta do Mensageiro, o Visitante comenta que pensou, quando encarnado, de que haveria apenas um “Paraíso” para os Bons e um “Inferno” para os Maus.
III – Conclusões
Não existe no Mundo Espiritual um tipo de Paraíso imaginado pelo homem, o qual instigaria a preguiça e a indolência, levando um estacionamento indesejável ao progresso espiritual. O que existe é um contínuo aprimoramento e aperfeiçoamento das qualidades morais do Espírito através de um processo gradual e contínuo.
Também, principalmente para as esferas Espirituais mais próximas do plano físico da Terra, as Cidades Espirituais são muito parecidas com as Cidades Terrenas.
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