Maria Madalena

Compilação baseada, de modo resumido no Cap.20 – Maria de Magdala, Livro: Boa Nova”, Humberto de Campos e Chico Xavier, FEB, 1941 e no Livro”Mulheres do Evangelho”, Estêvão e Robson Pinheiro, Casa dos Espíritos, 2005.

Tema Principal – Enviados Especiais: Maria Madalena

I – Introdução

Humberto de Campos apresenta Madalena, antes de sua conversão ao Cristianismo, como sendo uma pessoa que vivia em uma morada luxuosa, com uma vida movida aos prazeres mundanos e em constante companhia dos oficiais romanos.

Estêvão relata que Madalena, pela sua exuberante beleza física, levava uma vida extravagante baseada no luxo e no fausto, e sempre em companhia dos oficiais romanos de alta patente.

Estêvão cita o fato de que por ser uma mulher independente, fato raro na sociedade da época, Madalena chocava a sociedade por fugir dos padrões religiosos e morais típicos, sendo vista ao longo destes dois mil anos de modo injusto pelos moralistas de todos os tempos.

Estêvão afirma que em vidas posteriores, Madalena foi a encarnação de Madre Tereza de Ávila, e posteriormente, foi a encarnação de Madre Tereza de Calcutá.

Ambos os autores afirmam que Madalena faleceu como leprosa por ter se dedicado, logo após a partida dos Apóstolos para Jerusalém, aos leprosos e enjeitados.

Nenhum dos autores comenta o fato de que Madalena tenha sido obsediada por sete Espíritos opressores como muitas vezes citado por alguns autores.

II – A procura por Jesus

Após escutar algumas das pregações do Messias Nazareno, Madalena tomada de admiração profunda por este Mestre da Luz e do Amor, não consegue mais manter a forma de vida em que vivia. Rompe com todas as suas paixões e vícios, inclusive vendendo tudo o que possuía e distribuindo entre os mais necessitados.

Passa em seguida a seguir Jesus por todo o lago da Galileia.

III – O primeiro contato com Jesus

Madalena resolve procurar ao Divino Mestre na casa do Apóstolo Simão Pedro. Tinha observado que em suas pregações, Jesus nunca condenara nenhum tipo de pessoa, sendo extremamente terno e benevolente com o povo.

Ao ser recebida pelo Divino Mestre, lhe fala em voz súplice, que tinha ouvido as suas pregações e que tinha vindo ao seu encontro para ser uma de suas ovelhas, e pergunta: Será que Deus me aceitaria?

O Mestre, que lhe sonda as profundezas de seu pensamento, lhe responde de modo bondoso e terno:

Maria, levanta os olhos para o Céu e regozija-te no caminho por ter escutado a Boa Nova do Reino e por Deus ter-lhe abençoada. Acaso poderias pensar que estivesse condenada ao pecado eterno? Onde estaria então o amor de Nosso Pai? Nunca viste a primavera dar flores sobre uma casa em ruínas? As ruínas são as criaturas humanas, porém, as flores são as esperanças em Deus. Sobre todas as falências e desventuras próprias do homem, as bênçãos paternais de Deus descem e chamam. Sentes hoje esse novo Sol a iluminar-te o destino. Caminhe de agora em diante sob esta nova luz, porque o amor cobre a multidão dos pecados.

Madalena responde-lhe: Senhor, tenho amado e tenho sede de amor.

Jesus novamente a esclarece: Tua sede é real. O mundo viciou todas as fontes de redenção e é imprescindível compreender que em suas sendas a virtude tem que caminhar por uma porta muito estreita. A virtude no mundo foi transformada na porta larga da conveniência própria. O que verdadeiramente ama, porém, conhece a renúncia suprema a todos os bens do mundo e vive feliz, na sua senda de trabalhos para o difícil acesso às luzes da redenção. O amor sincero não exige satisfações passageiras, que se extinguem no mundo com a primeira ilusão, trabalhando sempre, sem a amargura e sem ambição, com os júbilos do sacrifício. Somente o amor que renuncia sabe caminhar para a vida suprema.

Madalena lhe pergunta novamente: Somente o amor pelo sacrifício poderá saciar a sede do coração?

Jesus mais uma vez lhe responde: Somente o sacrifício contém o Divino Mistério da vida. Viver bem é saber imolar-se. Toda Luz humana vem dos corações dos que se sacrificaram, pois no seu silêncio, fazem com que a mensagem de Deus seja ouvida no mundo. Constroem, deste modo, a estrada definitiva para a eternidade.

Jesus ainda continua em sua preleção para Maria Madalena: Na tua condição de mulher, já pensaste no que seria o mundo sem as mães dedicadas, no silêncio e no sacrifício? Não são elas as cultivadoras da vida onde os homens travam verdadeiras batalhas? No entanto, os corações maternos não desesperam e sempre reedificam o jardim da vida, imitando Providência Divina com o seu infinito amor.

Madalena começa a chorar ao lembrar que não poderia ser mãe, ao que o Senhor lhe comenta: Qual das mães será maior aos olhos de Deus? A que se consagrou somente aos filhos da sua própria carne, ou aquela que se consagrou, pelo Espírito, aos filhos das outras mães? ↔ Jesus já a estava preparando para ser a futura mãe dos seus irmãos em humanidade, os deserdados do caminho, os infelizes de toda a sorte, de modo que pudessem ser aquinhoados com os bens das mais elevadas virtudes distribuídas por Maria Madalena.

Madalena emocionada promete a Jesus: Senhor, doravante renunciarei a todos os prazeres transitórios do mundo, para adquirir o amor celeste que nos ensinastes. Acolherei como filhas as minhas irmãs em sofrimento, procurarei os infortunados do mundo para aliviar-lhes as feridas do coração, e estarei com os aleijados e os leprosos↔ em cumprimento a esta promessa ao Senhor, Madalena se encarna como Madre Tereza de Ávila e posteriormente como Madre Tereza de Calcutá.

Jesus a complementa dizendo-lhe que: Mesmo que eu parta para o meu Reino, estaremos juntos em Espírito. Quanto ao futuro, com o infinito de suas perspectivas, é necessário que cada um tome sua própria cruz, em busca da porta estreita da redenção, colocando acima de tudo a fidelidade a Deus e, em segundo lugar, a perfeita confiança em si mesmo. Vai, Maria, sacrifica-te e ama sempre. Longo é o caminho, difícil é a jornada, estreita é a porta; mas, a fé remove obstáculos. Nada temas, pois é preciso crer somente ↔ Em mais uma vez, Jesus chama a atenção de que cada um deve tomar a própria Cruz e segui-lo, aceitando acima de tudo os desígnios do Altíssimo ao próprio destino, sem reclamar ou murmurar contra estes sofrimentos, cuja finalidade é acima de tudo o burilamento e o aprimoramento do ser humano → vide Cap.27 – Oração no Horto, Livro”Boa Nova”, quando Jesus explica para o Apóstolo João Evangelista o significado do seu ato no Horto de Jerusalém, antes do seu martírio. O Divino Mestre é mais do que didático: João, o meu ato no Horto é uma exemplificação e ensinamento, mostrando a todos os futuros Discípulos, que devem tomar a sua própria Cruz e ascender em marcha solitária ao calvário de sua redenção, desligando-se dos seus entes queridos que se entregarem ao sono da indiferença em relação à vida espiritual. É necessário e obrigatório a necessidade do valor individual do próprio testemunho, porém, nunca deixando de “Orar e Vigiar”.

IV – O Banquete de Naim

De acordo com Lucas, 7:36 a 50, Simão, o Fariseu, convida a Jesus para um banquete em sua casa. Em meio ao banquete, eis que surge repentinamente Maria Madalena com um vaso cheio de Alabastro com perfumes, a qual inicia, imediatamente, a lavagem dos pés do Divino Mestre. Tomada de intensa emoção, começa a chorar e suas lágrimas regam os pés do Senhor junto com o Alabastro e os perfumes. A seguir, enxuga os pés de Jesus com os próprios cabelos.

Após este ato, Jesus conta a Parábola dos “Dois Devedores’, e fazendo uma analogia, afirma que Madalena é uma devedora das mais endividadas, porém, como muito amou e se arrependeu de sua vida pregressa, terá todos os seus pecados perdoados.

Para que ninguém tivesse dúvidas do que estava falando, diz em voz alta, para que todos escutassem, à Madalena: Todos os teus pecados te são perdoados. A tua Fé te salvou. Vai em paz.

V – O término da Jornada de Madalena

Madalena após ser recusada pelos Apóstolos para participar das atividades da Casa do Caminho em Jerusalém, permanece na região de Cafarnaum, trabalhando pela própria subsistência, livre do luxo e da luxúria da sua antiga vida pregressa. Recusa a todos os convites nestes sentidos.

Sozinha, é responsável pelo próprio sustento, trabalhando arduamente em Magdala e Dalmanuta. Tenta algumas vezes ir nas Sinagogas locais, sentindo porém que voltaram a ser dominadas pelos conceitos farisaicos intransigentes do Judaísmo, compreende então que palmilhava o caminho estreito de modo completamente solitário apenas com a sua Fé em Jesus.

Muitas vezes chorava de saudades ao passear no silêncio das praias, recordando-se da presença do Senhor.

Um belo dia aparecem leprosos em Dalmanuta, vindos da região da Iduméia, os quais procuravam a Jesus. Madalena os reúne e lhes fala sobre as lições deixadas pelo Divino Mestre.

Após estes serem expulsos de Dalmanuta e serem obrigados a irem para o Vale dos Leprosos em Jerusalém, Madalena resolve acompanha-los.

Além de tratar estes doentes, diariamente, nos finais de tarde, leva-lhes o consolo das palavras do Evangelho de Luz e de Amor de Jesus. Com o tempo torna-se também uma leprosa.

Após sentir que as suas forças estavam acabando, resolve ir a Éfeso, onde residiam Nossa Senhora e João Evangelista, vindo a falecer nesta cidade, cercada de amigos e de novos admiradores Cristãos, conhecedores que foram de sua história.

Em seus últimos momentos, sente-se levada para a Praia de Cafarnaum, repousando sob as árvores. Eis que de repente, enxerga a presença de Jesus, vindo em sua direção. Exclama então: Senhor. Jesus a recolhe ternamente em seus braços e diz-lhe: Maria, já passaste a porta estreita. Amaste muito. Vem. Eu te espero para junto de mim.

VI – Considerações Adicionais

Nunca um ser humano lutou tanto contra as suas faltas de Virtude quanto Madalena. O Luxo e a Luxúria são extremamente difíceis de serem abandonados, em qualquer tempo ou lugar.

Ao escutar o chamado do Divino Mestre, larga estes vícios e se entrega completamente a uma mudança interna radical. Passa a fazer parte das “Mulheres”que acompanhavam as pregações no Tiberíades, como Joana de Cusa, Nossa Senhora e outras. Durante o martírio de Jesus, permanece com Nossa Senhora todo o tempo.

Recebe como prêmio por esta mudança radical visceral, a visão da ressurreição do Senhor, sendo a primeira pessoa a notificar tanto aos Apóstolos deste ocorrido, quanto as mulheres que acompanhavam o Senhor.

Como prometido à Jesus, termina seus dias se dedicando aos irmãos em sofrimento e aos infortunados do mundo, aos quais toma como se fossem os seus “Filhos do Caminho”.

É injustamente lembrada pelos Cristãos de todas as matizes, que não lhe reconhecem o seu tremendo esforço de reforma íntima, visando a amar acima de tudo os seus “próximos desafortunados e sofredores”.

Pouquíssimos a reconheceriam na figura de uma Madre Tereza de Ávila ou em uma Madre Tereza de Calcutá, como afirmado pelo Espírito Estêvão no Livro ” Mulheres do Evangelho “ .

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