Compilação baseada, de modo resumido, no Cap.5 – Judas Iscarioste, Livro ”Crônicas de Além-Túmulo”, Humberto de Campos e Chico Xavier, FEB, 1937. São consultados também outros capítulos e livros de Humberto de Campos e Chico Xavier, como Cap. 48 – O Discípulo Ambicioso, Livro ”Lázaro Redivivo”; Cap.34 – O Anjo Solitário, Livro ”Estante da Vida” e Cap. 24 – A Ilusão do Discípulo, Livro ”Boa Nova”.
Tema Principal – Os Apóstolos
I – Introdução
Em abril de 1935 o Apóstolo Judas Iscariotes estando em Jerusalém, na Semana Santa, é entrevistado por Humberto de Campos, e relata-lhe os motivos que o fez entregar o Divino Mestre Jesus ao Sinédrio Israelense. Este texto está no livro” Crônicas de Além- Túmulo”.
Nos outros livros consultados são apresentados outros textos, sempre correlacionados com este famoso ato deste Apóstolo, o qual ficou marcado e incompreendido pela comunidade cristã.
II – Trechos da Entrevista a Humberto de Campos – Parte I
Humberto de Campos encontra o Apóstolo Judas Iscariotes no Vale do Cédron, em Jerusalém, capital de Israel. Segundo o Guia Espiritual, que acompanhava o Irmão X, Judas gostava de vir à Terra na época da Semana Santa para meditar sobre seu atos de antanho. O Guia comenta que Judas já era um Espírito completamente redimido e que não mais precisava reencarnar na Terra, encontrando-se atualmente em Esferas Superiores, e estando completamente perdoado pelo Divino Mestre Jesus.
Apresenta-se a Humberto de Campos como sendo o Apóstolo Judas Iscariostes, o qual contemplando Jerusalém, comenta que gostava de meditar no juízo transitório dos homens. A seguir explica como foi a sua participação na entrega de Jesus ao Sinédrio:
Desesperado com a situação e ralado de remorsos, pratiquei o ato do suicídio → Judas confirma que realmente se suicidou.
- Os Escribas que redigiram os Evangelhos não conseguiram entender às circunstâncias e às tricas políticas que, acima dos meus atos, predominaram na crucificação → Pilatos e Herodes tinham que salvaguardar os interesses do Estado Romano, satisfazendo as aspirações religiosas do Sinédrio↔ o Sinédrio desejava o Reino do Céu, pelejando por Jeová a ferro e fogo, ao passo que Roma queria o Reino da Terra, e estando Jesus entre estas forças antagônicas, com a sua pureza de conceitos religiosos;
- Eu era apaixonado pelas ideias Socialistas do Divino Mestre, porém o meu excesso de zelo pela pureza da Doutrina me fez sacrificar o seu fundador → eu via apenas a Política como único meio de dominação, como o único meio que se poderia triunfar, de modo a libertar o povo Hebreu do jugo Romano e voltar a dar a Israel o domínio do mundo ↔ este era o pensamento do povo Hebreu sobre a vinda de um Messias, militar e dominador, que restaurasse as glórias da época de Salomão ao povo Hebreu;
- Planejei então uma revolta surda, na qual Jesus passaria a um plano, inicialmente secundário, e eu arranjaria colaboradores para uma obra mais vasta e enérgica → Judas cita o caso da Reforma feita no seio da Igreja por Constantino no Século III, que desvirtuou o Cristianismo, como sendo a sua ideia central de colocar o Divino Mestre em plano secundário;
- Não imaginei que entregando o Mestre a Caifás, os acontecimentos iriam atingir níveis tão trágicos;
III – O Discípulo Ambicioso – Cap. 41 – Livro ”Lázaro Redivivo”
Quando o Apóstolo Judas Iscariotes, procurou o Sumo Sacerdote Caifás, o seu pensamento estava cheio de sonhos fantásticos como:
- Apesar de muito amar o Divino Mestre, pensava que podia cuidar dos interesses dele na Terra, deixando-se empolgar pelas riquezas transitórias e pelos poderes políticos → pensava em valer-se das influências prestigiosas dos Sacerdotes para tomar o Cetro do Poder do povo Hebreu e comandar uma revolução, que através dos poderes de Jesus, levaria novamente a glória ao povo Hebreu, em obediência às tradições do passado em relação aos antigos Profetas e Juízes, terminando com a dominação dos próprios Romanos ↔ assim que tudo isto se efetuasse, restituiria a glória e o poder ao Divino Mestre;
- O Divino Mestre ensinava a concórdia, a tolerância, a paciência e a esperança, mas ele, Judas, não enxergava como efetuar as reformas necessárias através de simples atitudes idealistas ↔ Judas não entendeu que Jesus se referia a Reforma Íntima, e que jamais utilizaria seus imensos poderes espirituais para efetuar quaisquer tipos de guerras e dominação das mentes humanas pela tirania e pela força; Em seguida Judas se encontra com Caifás, máximo dignitário dos Sacerdotes Hebreus, no interior de um dos Templos de Jerusalém:
- Caifás após elogiar a coragem de Judas, deixando claro que nenhum dos outros Apóstolos não permitiram nenhum tipo de sua abordagem, diz que o povo Hebreu precisava de um verdadeiro Rei, que restaurasse a liberdade política e econômica da nação;
- Elogia, a seguir, a atuação de Iscariotes, afirmando que este seu gesto de procura-lo, abreviará a vitória do Messias, conferindo aos demais Apóstolos os postos mais graduados no Conselho da nova Nação Hebraica e a ele, Judas, a chefia de seus companheiros e que receberá do povo as devidas homenagens ↔afirma ainda que é tempo de Libertação e que o Senhor é o Rei que Jeová enviava ao povo Hebreu;
- Caifás, que era um verdadeiro mestre na arte de dissimulação e de enganar aos incautos, afirma que por uma questão de segurança interna, o Divino Mestre seria aprisionado, e uma vez efetuada a revolução com a libertação de Roma, ele seria solto e coroado, ostentando o Cetro do Poder → contudo até que isto realmente ocorresse, Judas chefiaria a nação, recebendo todas as homenagens merecidas, assumindo inclusive o lugar do Messias, provisoriamente, até que o próprio Jesus, com as devidas garantias do povo Hebreu, pudesse assumir totalmente o Poder.
- Após estas dissimulações, Caifás chama algumas testemunhas e Escribas, para registrar o testemunho acusador de Judas a Jesus, no qual conduz habilmente Judas a afirmar que Jesus desejava ser Rei em Israel, que pretendia fomentar uma revolta contra o poder estabelecido de César e contra a autoridade de Herodes, além de afirmar que Jesus odiava aos Romanos, que iria aproveitar a Páscoa para começar esta revolução, desejando a emancipação política de Israel e coroar-se Rei do povo Hebreu → tendo estas declarações comprometedoras de Judas contra Jesus, registradas e com testemunhas, se dirige ao Chefe da Guarda e toma todas as providências para prender a Jesus como relatado nos Evangelhos ↔ após o drama da Paixão do Senhor, Judas procura os seus contatos no Templo de Jerusalém, que lhe viram as costas e lhe dizem que o crime que ele, Judas, cometeu, é um problema explicitamente dele, e que eles pouco se importavam com isto.
IV – A Ilusão do Discípulo – Cap. 24 – Livro” Boa Nova”
Após a famosa entrada de Jesus, montado em um Jumento, em Jerusalém, Judas em conversa com Thiago Zebedeu, afirma entre ansioso e atormentado, com uma grande inquietação no olhar, que Jesus é demasiado simples e bom para quebrar o jugo tirânico de Roma que oprime o povo de Israel, e para abolir a escravidão que oprime o povo eleito por Deus.
Thiago afirma que o Mestre não possui as disposições destruidoras de um guerreiro do mundo, a qual Judas replica afirmando que fora contatado por Doutores da Lei, que afirmaram da inutilidade das pregações Evangélicas no meio da população mais simples e ignorante de Israel, explicitando que o povo Hebreu merecia um condutor enérgico e altivo.
Thiago, novamente, volta a afirmar que o Divino Mestre vem efetuar a Divina Revolução no coração e nas almas dos homens. Judas sorri irônico e acrescenta que não acreditava em renovações sem o interesse e o concurso dos homens poderosos da Terra. Thiago então pondera, que nunca houve um enviado tão elevado quanto Jesus, o qual fora enviado diretamente pelo próprio Pai.
Judas, em réplica a Thiago, afirma que não concorda com os princípios de inação e que o Evangelho somente poderá vencer com o concurso dos propostos de César ou das autoridades do Sinédrio. Contudo, Jesus despreza estas autoridades em detrimento dos cegos, dos leprosos, dos pobres e dos ignorantes.
Thiago volta novamente a argumentar que o Divino Mestre afirmara por diversas vezes de que o seu reino não era deste mundo.
Judas, volta a argumentar que após a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, de que eles, os Apóstolos, deveriam multiplicar esforços para que pudessem ter as suas posições de superioridades reconhecidas por todos, em tempo oportuno. Afirma que seria interpelado por pessoas influentes na política de Jerusalém, além de altos funcionários e homens importantes financeiramente, e que iria procurar estabelecer acordos para dar um novo movimento às ideias do Messias. Thiago, mais uma vez chama a atenção de Judas para que este mantenha o respeito à autoridade do Divino Mestre, que possui bastante visão para sondar e conhecer os corações dos homens, sendo que o hábito dos Sacerdotes e a toga dos altos dignitários romanos são simples roupagens efêmeras na Terra. As ideias de Jesus são para o Céu e seria um sacrilégio misturar a sua pureza com as organizações viciadas do mundo. Além do mais não podemos ser mais sábios e nem mais amorosos que o Mestre, o qual sabe o melhor caminho e a melhor oportunidade para a conversão dos homens →Thiago: As conquistas do mundo são cheias de ciladas para o Espírito e, entre elas, é possível que sejamos transformados em órgão de escândalo para a verdade que o Mestre representa.
Judas, apesar de amar intensamente a Jesus, esperava que após o sucesso de seu plano, iria lhe restituir a alegria da vitória cristã através das manobras políticas do mundo. Deste modo se dirige ao encontro de Caifás como descrito no Item III, retornando da reunião, com a ambição de atingir um elevado cargo, com autoridade e privilégios políticos, para organizar a vitória no meio do povo Hebreu. Em seguida, pensava, poderia libertar a Jesus, dirigir-lhe os Dons Espirituais para a conversão dos amigos e protetores prestigiosos.
V – O Anjo Solitário – Cap.34 – Estante da Vida
Já era decorrida a hora sexta, na qual o Divino Mestre expirara na cruz, implorando ao Altíssimo o perdão para todos. De longe, Judas contemplou todo o sofrimento de Jesus, tendo a consciência dilacerada por tremendo remorso, com lágrimas ardentes que lhe rolavam dos olhos tristes e amortecidos. Maldado à vaidade que o perdera, amava intensamente ao Divino Mestre.
Judas resolve suicidar-se nos galhos da figueira próxima, escutando em seu íntimo a voz de Jesus como a lhe dizer: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir ao Pai senão por mim.
Paralelamente a este acontecimento com Judas, enquanto o Divino Mestre agonizava na cruz, eis que o Céu se rasga sobre o madeiro e aparecem entidades angélicas em extensos grupos, a lhe consolar, a insuflar-lhe novas energias, a aplicar-lhe suaves bálsamos no corpo e focos de intensa luz nas chagas para olvidar-lhe os sofrimentos.
Enquanto estes verdadeiros Anjos da imensidão trabalhavam ao redor do Divino Mestre, eis que chega um outro Anjo, com uma indescritível luz, aparecendo solitário e se deslocando imediatamente ao madeiro, e escuta um comando de Jesus, o qual os demais Anjos não escutaram, pedindo-lhe para ir ao encontro do Espírito debilitado de Judas que acabara de suicidar-se.
Rapidamente, o Anjo Solitário se desprende do madeiro, e se dirige para as regiões de sombras procurando por Judas, para ajuda-lo e a ampara-lo. Os demais Anjos não lhe notaram a presença, contudo Jesus que a tudo observava, lhe demonstrava muita confiança nesta sublime missão, em silêncio. Era o Anjo da Caridade.
VI – A Situação Atual de Judas Iscariotes – Trechos da Entrevista a Humberto de Campos – Parte II
Retornando ao Item II, com a entrevista de Humberto de Campos, Judas relata que após o seu desencarne, submergiu em séculos reparadores de sofrimentos expiatórios. Sofreu durante as perseguições aos Cristãos nos três primeiros séculos, sendo que a sua última e reparadora encarnação foi no século XV, quando foi queimado em uma fogueira, vítima de felonia e traição → alguns Espíritas afirmam que Judas foi nesta última encarnação Joana d’Arc, heroína francesa e santa da Igreja Católica.
Judas relata que: Ao fechar o ciclo das minhas encarnações sobre a Terra, senti na minha fronte o ósculo do perdão da minha própria consciência. Apesar de pesar sobre mim esta maldição milenária, durante as doces homenagens a Jesus, sinto-me, contudo, plenamente saciado na justiça, pois fui completamente absolvido pela minha consciência, no tribunal dos suplícios redentores → Judas termina a entrevista afirmando que Jesus está sendo vendido no mundo, a grosso e no retalho, por todos os preços, em todos os padrões do ouro amoedado, sendo que os negociadores do Divino Mestre não se enforcam depois de vende-lo.
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