Compilação baseada, de modo resumido no Cap. Começa a Luta, Livro: São Francisco de Assis – Miramez e João Nunes Maia, Editora Espírita Cristã Fonte Viva, 1985.
Tema Principal – Os Apóstolos e Enviados Especiais para a Terra
I – Introdução
O Espírito de João Evangelista, reencarnou na cidade de Assis, Itália, no Século 12, para reformular, pelo exemplo e dedicação ao Evangelho do Divino Mestre Jesus, a Igreja Católica Romana que se encontrava nas Trevas e afastada do Povo, não somente pelos exemplos negativos, abusos e deturpações de todos os tipos por parte da maioria de seus Sacerdotes em seus diferentes níveis, como também pelas Cruzadas e pelo começo da Inquisição.
João Evangelhista reencarnou como São Francisco de Assis, sendo este último também conhecido como o Povorello.
II – As Cruzadas, Inquisição e São Francisco de Assis
A Idade Média sofria a violência da prepotência dos Senhores Feudais. O sofrimento das coletividades se comparava ao dos Judeus, na época em que surgiu Moisés para salvá-los dos duros tratos na Casa de Servidão, ou ainda piores, pois foram instaladas duas frentes de perseguições, que alarmavam as famílias: Os Direitos Humanos estavam anulados com as Cruzadas e os Tribunais do Santo Ofício. A Igreja e o Estado aliaram-se para submeter as pessoas que não fossem obedientes, às suas conveniências, orientações e prepotências.
“O Vaticano está empobrecendo o mundo; é dono de muitas propriedades e domina as consciências. Está ficando prepotente, orgulhoso, e até “Fazendo Guerras, Matando em nome de Deus, Perseguindo em nome do Cristo”.
Francisco de Assis era um afluente Espiritual que iria desembocar no esgotado Doutrinário da Igreja Católica Apóstólica Romana, dando a esta dimensões maiores. Era prudente, por excelência, e, por natureza congênita, educado. Criava em seu redor admiração sem barreiras. Tanto os Homens de todas as classes, quanto os animais de todos os reinos eram seus amigos e tinham por ele o maior respeito. Nunca se revoltara contra as intempéries dos caminhos, nem maldizia as horas das duras provações.
Francisco era um Evangelho aberto, onde todos poderiam “Ler nas Letras Luminosas dos seus Exemplos”.
Não estamos aqui fechando os olhos para combater uma Religião que serviu de veículo para grandes Santos, como para vários sábios; somente escrevendo por “Ordem Maior”, aquilo que passou dos limites da sua área de ação.
Ela, a “Igreja Católica Apostólica Romana”, dominada nestas épocas pelos Bispos Romanos aliados aos Imperadores de vários países, tem a parte que compete aos “Homens em sua Direção”, e estes, por vezes, afrouxam a “Vigilância do Orar e Vigiar”, “Dominados pela Sede do Poder pelo Poder, do Luxo e das Riquezas, pelas Mordomias dos Elevados Cargos Sacerdotais e do Domínio Fácil das Massas”. Não obstante a isto, é corrigida pelo alto comando no Mundo Espiritual, através da assistência de inúmeras Falanges de Anjos, cujo senso é altamente iluminado.
Temos de lembrar os benefícios que essa Religião trouxe ao mundo inteiro. Ela, de certa forma, resguardou o Evangelho, envolvendo-o nos panos da letra, não por competência dos seus Prelados, mas devido à Ignorância Humana.
A Coletividade dita Cristã de todo o mundo, ou de quase todo ele, achava-se “Incompetente” para viver o Evangelho em “Espírito e Verdade” como pregava Jesus, e poderia abandonar de vez os Caminhos Espirituais, se não fosse o Evangelho interpretado de modo diferente de acordo com as suas conveniências e respectivo patamar Espiritual, até chegar à madureza da Humanidade, e a Luz ser colocada novamente em cima da mesa.
Porém, nem sempre os Dirigentes do Clero Romano comandam os destinos da Igreja com bom senso. De vez em quando é preciso, e os Céus acham conveniente, que alguns Anjos retifiquem e corrijam os abusos praticados, por descuido daqueles que se fazem “Senhores das Verdades Espirituais”, tomando a Autoridade de maneira egoísta e achando somente que por meios deles é que se faz no mundo, a vontade de Deus e se dá as ordens do Cristo.
E para não acontecer coisas piores, para não ser oficializada esta Religião em todo o mundo, fechando as “Portas da Democracia Espiritual”, tolhendo os Direitos Humanos dos Homens, o próprio Jesus, por vontade de Deus, que se serve de Canal Divino, enviou Lutero com seus coadjuvantes em todo o mundo, para organizar a Reforma Protestante*, no sentido de enfraquecer os poderes de Roma e dar liberdade às Consciências, deixando livre escolha às Linhas Religiosas.
Os Livros Sagrados dos Evangelhos deveriam ser “Libertados da Escravidão Vigente” como também as “Interpretações Errôneas” que a eles eram dados**.
Quando as duas correntes religiosas, Cristianismo e Protestantismo, tomaram consciência de que não se deveriam unir, surgiu a Doutrina dos Espíritos, como sendo o Consolador Prometido, entre as duas poderosas correntes de princípios, oriundas da mesma fonte. São Três Poderes Espirituais no Ocidente inspirado no mesmo Cristo, mas em condições diferentes de interpretação, “sem as Condições de União, para o Bem da própria Humanidade”.
Mesmo nos dias atuais, os Dirigentes dessas Religiões não se encontram bastantes evoluídos, no “Sentido de Entenderem e Respeitarem os Direitos de Consciência e Livre- Arbítrio do Próximo”.
Francisco de Assis já compreendia e respeitava os Direitos Humanos e Espirituais das Criaturas, e encontrava no Amor Universal a verdadeira Religião. Concentrou as suas atividades no ideal do desprendimento. Partindo daí, tudo mais seria fácil de ser vivido, pois a chaga viva da humanidade, o Egoísmo, de onde nasce o Orgulho com todas as suas ramificações, passou a ser anulado.
Quando o seu pai fora à sua procura, para interromper os seus gestos no reparo material das Igrejas, deixara transparecer que Francisco estava tirando suas mercadorias e vendendo-as para tal mister; e este, diante das Autoridades Eclesiásticas, entregara a Pedro Bernardone tudo o que tinha em mãos, até a própria roupa do corpo; ficara despido de tudo que possuía fisicamente, porém, com a “Consciência Vestida de Luz”.
O desprendimento, por Amor às Criaturas, é gesto divino na divina expressão do Amor, e o desprendimento de Francisco fê-lo “Amar a Pobreza” sobre as “Coisas Materiais”, nome este desprezível no seio da Sociedade Humana. “Pobreza”, no dicionário de Francisco de Assis, não é miséria, não é sujeira, não é incompetência para discernir as coisas, não é fome ou preguiça, não é mendicância; é integração na vida natural, é Fraternidade Universal que Deus abençoa no cântico dos pássaros, no soprar do vento, na claridade do Sol, no borbulhar das águas, na simplicidade das árvores, na candura dos peixes, nos raios das estrelas e no amor mais puro aos Homens, que hoje poderemos traduzir como Socialismo Cristão, força poderosa que se alastra no mundo inteiro e que a sequência da vida transformará em denominador comum de todos os povos no futuro, após a Transição Planetária.
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