Compilação baseada, de modo resumido no Cap. – Começa a Luta, Livro: São Francisco de Assis – Miramez e João Nunes Maia, Editora Espírita Cristã Fonte Viva, 1985.
Tema Principal – Os Apóstolos
I – Introdução
O Espírito de João Evangelhista, reencarnou na cidade de Assis, Itália, no Século 12, para reformular, pelo exemplo e dedicação ao Evangelho do Divino Mestre Jesus, a Igreja Católica Romana que se encontrava nas Trevas e afastada do povo, não somente pelos exemplos negativos, abusos e deturpações de todos os tipos por parte da maioria de seus Sacerdotes em seus diferentes níveis, como também pelas Cruzadas e pelo começo da Inquisição.
João Evangelhista reencarnou como São Francisco de Assis, sendo este último também conhecido como o Povorello. No início de sua missão, logo após escutar a voz de Jesus a lhe ministrar as primeiras instruções do seu Apostolado, Francisco se retira para uma propriedade rural de seu pai, onde começa a ter uma Visão Espiritual sobre as vidas anteriores dos empregados, que na época eram tratados como escravos. Nesta visão uma “Mão de Luz” e uma “Voz” lhe explicam cada caso existente de cada servo da Fazenda de seu pai. Escuta a história das vidas passadas e a necessidade de cada servo estar na situação de sofrimento educativo em que se encontra.
II – A Visão sobre a Reencarnações e Vidas Passadas mostradas a São Francisco de Assis
Durante um breve repouso no alpendre da propriedade, Francisco sente-se deslocado para fora do Corpo Físico, quando uma voz lhe soa nos ouvidos espirituais e lhe esclarece sobre os destinos dos trabalhadores da fazenda de seu pai:
– Francisco, não tentes mudar os destinos destes trabalhadores, os quais recebem de acordo com o plantio que fizeram em épocas passadas de vidas anteriores, pois os processos de regeneração são compatíveis com os seus respectivos níveis evolutivos. Cada um está no lugar certo de acordo com os Desígnios da Providência. No futuro acordarão para o Amor, a Caridade e a Paz, pois a onisciência de Deus os prepara para esta evolução. Se te revoltares contra estes fatos, estarás julgando a Deus, que pelas suas Leis Imutáveis, define para cada um o “Processo Educativo” mais adequado;
– Em toda a Terra, são milhões de seres que passam por estes processos evolutivos, em diferentes níveis de todos os reinos. Tens uma missão a cumprir, de modo a escutar tantos os que sofrem como os que os fazem sofrer, sem jamais desampara-los;
Em seguida, Francisco é colocado perto de cada trabalhador, e uma mão luminosa lhe mostrava a Aura de cada um, a qual acompanhava a respectiva evolução espiritual, além de mostrar as caraterísticas das personalidades das vidas passadas. Via-se claramente o porte elegante e arrogante de muitos destes ser-vos. Paralelamente, a mão luminosa, toca o Chacra Coronário de Francisco e este tem a sua Visão Espiritual ampliada, de modo a ver as vidas passadas dos servos, e os motivos para a correção pela Dor, em suas várias formas, aos refratários ao Bem.
Francisco começa a ver claramente o que cada um daqueles servos fez e o que foram em vidas passada. Senhores de Terra e Nobres em vidas passadas, foram rebeldes e refratários ao Amor, a Humildade e a Caridade, e eram tratados como humilhados servos pelos capatazes da Fazenda, sofrendo as pressões do trabalho e as influências da chuva, do frio e do sol.
Em seguida a Voz lhe comunica novamente:
– Ninguém pode contrariar os processos evolutivos das criaturas, pois são processos organizados pela inteligência maior. Pode-se sim, alivia-los sem violência, esclarecendo-os e amando-os para a vida superior, constituindo esta a missão maior de se encontrar junto a eles;
– A Liberdade para estes tipos de Espíritos depende mais do tempo do que da vontade dos Espíritos Benfeitores.
Esta Liberdade é constituída de vários caminhos diferentes entre si, de modo que o Amor floresça em seus corações → Humildade forçada não é paz interna, e sem a disciplina da Dor, a depravação e rebeldia tomariam formas sem controle → Esta estratégia de correção do caráter humano é uma forma de prisão temporária, que no futuro irão abençoar pelas oportunidades de correção recebidas, através das cruzes pesadas que carregaram.
Para terminar a exemplificação dos princípios da reencarnação, a voz e mão de luz lhe mostram outros servos, em serviços mais duros e rústicos do que o grupo de trabalhadores que trabalhava na colheita de trigo. Eram os trabalhadores dos currais e de outros serviços mais pesados da fazenda. A voz novamente lhe esclarece:
– Estes servos, que não possuem o mínimo de claridade em torno de si, são Espíritos mais rústicos e atrasados que os anteriores. Para estes a Dor ainda não é muito percebida e a sentem muito pouco na escola da disciplina. São ainda inconscientes dos processos evolutivos, contudo a caminhada com a cruz nos ombros, deve ser feita individualmente por cada um;
– Francisco, falarás a todos estes tipos de homens, para ajuda-los a se esclarecerem para a Vida Maior, servindo de caminho para eles. Poderás lhes socorrer e incentiva-los no Amor, na Caridade e no Perdão. Contudo, devo repetir-lhe que, a subida e a Evolução Espiritual depende de cada um especificamente.
Francisco acorda, e mesmo com a sua elevada estatura espiritual, por estar reencarnado, sentira anteriormente a necessidade íntima de receber maiores esclarecimentos sobre a Verdade das Leis Maiores que regulam a vida em todas as dimensões, antes de iniciar a sua grandiosa missão de reerguer e reavivar os conceitos existentes no Evangelho de Jesus.
III – Frei Leão: Mediunidade e a Reencarnação
Como comentado na Parte I, Frei Leão foi o mesmo Pátius, que depois voltou sozinho, ainda na Itália, contando agora com Pai Francisco como Guia Espiritual. E dessa vez na personalidade do Professor Pietro Ubaldi.
Neste Diálogo com São Francisco de Assis, Frei Leão, que era um Grande Médium, incorpora um Espírito Superior que esclarece para São Francisco e os demais “Franciscanos a questão da Reencarnação.
Segue este Monologo:
– Francisco, as experiências que estais vivendo de Francisco revivendo João, devem-se ao fato de João Evangelista ser o mesmo Francisco de Assis dos nossos dias;
– Essa é uma lei que grande parte da humanidade desconhece, mas que ainda não é hora de propagar no seio dos fiéis da Igreja, de que temporariamente fazeis parte integrante. A vossa presença e a de vossos companheiros aliviará a depressão de sentimentos, dando um toque de esperança nas vigas basilares da doutrina que começa a ruir. E de vosso conhecimento que os livros sagrados, todos eles, sejam do Antigo Egito, da índia e da China, dos iniciados da Caldeia, e mesmo da Grécia e de Roma, inclusive a própria Bíblia, menciona com nitidez as transmigrações das almas de corpos em corpos;
– Basta recordar alguns tópicos, Para maior elucidação. Lembremo-nos de quando Nicodemos procurou o Cristo, informando do Mestre qual o melhor meio para entrar no Reino dos Céus. A resposta foi Nascer de Novo. É certo que o nascer de novo não significa que poderemos nos transformar sem que haja tempo suficiente, e uma só existência, na Terra, comparada com as necessidades do Cristo, não representa um segundo no relógio da eternidade.
Então, para nos modificarmos é imprescindível vivermos muitas vezes no mundo, em corpos diferentes e em épocas variadas.
Frei Leão, tomado por uma inteligência fora da matéria, que Pai Francisco identificara de pronto, pois era acostumado a esses transes, respirou profundamente, fez silêncio, como de costume nos grandes assuntos. Mestre Francisco, mudo e lúcida mente agindo como um bem aparelhado laboratório, analisava frase por força do que ouvia, tirava suas conclusões e falava baixinho ao ouvido do sensitivo:
– Continuai, meu filho, em nome de Jesus, terminai o que viestes dizer e que Deus nos abençoe.
Prosseguiu Frei Leão, mediunizado:
– Confrontando Malaquias, no fim do Velho Testamento, com a afirmação do Cristo de que João Batista era o Elias que haveria de vir, a razão nos favorece a mesma ideia, de que poderemos nos revestir de quantos corpos forem necessários para a nossa felicidade. Santo Agostinho, um dos pais da Igreja a que pertenceis, deixa entender a sua ascendência sobre a multiplicidade das formas, por uma só alma;
– Jó fala abertamente da mudança de corpos e Moisés conhecia isso a fundo, pois era iniciado nas escolas do velho Egito;
– Buda ensinava esta verdade abertamente para seus Discípulos. Sócrates, o Mestre por excelência da Filosofia Espiritualista, conhecia a Lei das Vidas Múltiplas, e seu Discípulo Platão encontrava nas Vidas Sucessivas a Justiça de Deus. Pitágoras viveu trinta e tantos anos na Caldeia e no Egito, no meio dos grandes Mestres e Místicos consumados, e não tinha dúvidas sobre esse assunto, para ele muito comum;
– Confúcio, o grande sábio chinês, era familiarizado com a volta do Espírito à carne, quantas vezes fossem indispensáveis, tendo a carne como um filtro ou esponja, de modo a absorver as impurezas da alma;
– Alguns Sumos Pontífices da igreja Católica a que pertenceis acreditavam na volta do Espírito em outros corpos, compreendendo que a dívida que fizeram na Terra tinha de ser saldada na mesma Terra.
Por que a Vossa Comunidade, Francisco, vai ignorar essa Lei? É justo que tenhais prudência, porque estais comandando tipos de Almas com estruturas diversas das nascidas no Oriente. Que Deus nos abençoe para sempre.
Adeus.”
Anexo I – As Cruzadas
A França foi o berço onde se fermentaram as ideias mais nefastas da Terra. Foi lá que as Trevas acharam ambiente para se estabelecerem, usando como Médium um Homem que não deveria ser esse instrumento, por se intitular Pastor de Almas. Diante da multidão, em outubro de 1095, no Concílio de Clermont, o Papa Urbano II, inspirado pelos Agentes das Trevas, deu o grito de guerra contra os Turcos: Deveriam matar os Muçulmanos, em defesa do Santo Sepulcro. Quando viu o ambiente favorável às suas invectivas inferiores, arrematou com entusiasmo, frente à multidão sempre inconsciente, uma das maiores blasfêmias de todos os tempos, no tom de voz conhecido das Sombras: “É Deus que o quer”.
Terminou sua nefanda prosa em meio de gritarias: “Ide sob a égide de Cristo”. Nesse dia foi fundada a primeira Cruzada, o movimento que tomou corpo, como sempre acontece com as coisas inferiores, e foi palco de morte e sacrifício para quase um milhão de pessoas. E as Trevas, temendo que as cruzadas acabassem, organizaram no século seguinte, movimento semelhante, disfarçado com outro nome, porém, movimentado pela mesma falange de Espíritos Sanguinários, verdadeiros Vampiros da Idade Média. As Trevas intentaram apagar o Sol na Terra.
Anexo II – A Inquisição
Foi na Itália, no papado de Lúcio III, que se lançaram as bases da Inquisição, no Concílio de Verona, em 1184, para depois se criarem na França os Tribunais do Santo Ofício, no ano de 1233, sob a influência de Gregório IX. Esse movimento ceifou vidas e mais vidas no mundo inteiro, sem piedade, fazendo desaparecer o amor na própria religião. Carrascos se assentaram, como afirmam, na “Cadeira de Amor de Pedro Apóstolo”, que deu a vida por amor ao Cristo, abençoando e curando enfermos, que não tinha uma pedra sequer para reclinar a cabeça, e não aceitava companheiros para o Apostolado que não renunciassem aos bens terrenos, chegando ao ponto de Ananias e sua esposa morrerem aos pés do Homem de Fé, por mentirem no que tange à renúncia das coisas materiais.
Esses Homens (Papas) que sucederam a Pedro convocavam inocentes, homens, mulheres, crianças e coisas que poderiam estar trabalhando em prol da vida, para dar esperança e surgimento da fraternidade na Terra, incentivavam a guerra e instituíram Tribunais do Santo Ofício para sacrificar e tirar Vidas Humanas.
Anexo III – Os Principais Concílios da Igreja Católica
- No ano 313 o Imperador Constantino, através do Edito de Milão, garante a liberdade de culto aos Cristãos. Os Cristãos que se reuniam em “Pequenas Comunidades” para as Orações e Práticas de Atendimento aos Encarnados e Desencarnados como afirmado textualmente pelo Benfeitor Emmanuel no Cap.175- Tratamento das Obsessões – Livro: Pão Nosso, foram obrigados a aceitar o domínio dos Bispos Romanos pertencentes a “Alta Elite ligada as Cortes Romanas”;
- Constantino ainda em 325 patrocina o Concílio de Niceia, que provoca graves distorções nos Ensinamentos do Evangelho de Jesus, como Joao Evangelista cita no Item III;
- Ainda no século IV, em 391, o Imperador Teodósio adota o Cristianismo como a Religião oficial do Império;
- Com todas estas atuações do Império, os Papas, Cardeais e Bispos passaram a ser nomeados por Imperadores e Reis, de modo que a Aristocracia ligada a estas cortes assumem estes principais postos na Igreja, provocando um afastamento dos ensinos e práticas ensinados pelos primeiros Cristãos contemporâneos dos Apóstolos. A riqueza, o fausto pelos diversos tipos de poder, pela fascinação e pelo orgulho, além da falta de moralidade por parte dos altos dirigentes da Igreja, levam-na a se afastar cada vez mais da verdadeira Doutrina Evangélicas.
- Esta classe Aristocrática da Igreja era denominada de Alto Clero. Após anos deste tipo de abuso, em 1075, o Papa Gregório VII pública um Édito que proibia a nomeação para altos cargos da Igreja por Reis e Imperadores, sendo que somente o Papa é que podia nomear. Gregório VII chega a excomungar o Imperador Henrique IV, do Sacro Império Romano- Germânico, que não aceita estas determinações;
- Na estrutura do poder da Igreja Católica Romana, como o próprio nome já indica a origem e a dominação dos Bispos Romanos, para manter o poder a qualquer custo, recorre a alianças com Reis e Imperadores, os quais por sua vez passam a indicar Bispos e Cardeais para o Alto Clero das Igrejas das terras sob seus respectivos domínios. O Baixo Clero, constituídos por padres e monges, oriundos das camadas mais simples e pobres da população, não influenciam nos destinos da Igreja.
- O nome Católica vem do Grego Katholikos que significa Universal;
- 1054 – Cisma da Igreja em Igreja Cristã Ortodoxa, com sede em Constantinopla e Igreja Católica Apóstólica Romana com sede em Roma;
- 1095 – Início das Cruzadas com o Papa Urbano II (durou até 1270 com milhares de mortes);
- 1194 – Surgimento da Inquisição (durou até 1799 com milhares de mortes e mutilações);
- 1303 – Cisma na Igreja Católica Apostólica Romana, com brigas pelo poder entre o Imperador Francês Felipe, o Belo, e o Papa de Roma;
- 1417 – Concílio de Constança para a reunificação da Igreja Romana;
- Séculos XII e XIII surgem movimentos (Albigenses e Valdenses) contra a ambição insaciável da Igreja por mais riquezas e poder político, além do afastamento dos princípios Evangelho. Foram perseguidos e mortos pela Igreja dos Bispos Romanos;
- 1213 – Surge os Tribunais do Santo Ofício para o início dos trabalhos da Inquisição, que matou e mutilou milhares de pessoas em nome da Igreja Romana;
- Século XIV – surgem movimentos contrários à igreja mais organizados, iniciados por professores como John Wyclif – Oxford e John Russ – Universidade de Praga;
- Século XV – Surge o Protestantismo com Martinho Lutero contra a venda das Indulgências e dos Terrenos no Céu, moralização do comportamento do Alto Clero e dos Costumes da Igreja, além de não aceitar a intermediação dos clérigos entre os homens e Deus- Movimento dos Protestantes que rompe com relações com a Igreja Romana;
- Século XIV – Surge o Calvinismo de João Calvino, movimento que também provoca um rompimento com a Igreja Romana;
- Séculos XIV a XVI a Europa passa por um movimento de valorizar a cultura Grega-Romana, além de colocar o Homem como centro de atenção e a dissociar o Estudo Científico do lado Religioso. Isto significou uma ruptura com os valores praticados na Idade Média, dominado pelas Teorias e Dogmas da Igreja;
- A Idade Média ficou conhecida como a Idade das Trevas para a humanidade, principalmente pela atuação e influência despótica da Igreja em todos os campos do pensamento humano. A nova fase, que começa a partir do Século XIV ficou conhecida como Renascimento, por quebrar todos os paradigmas existentes na Idade Média nos campos das Artes, Ciências e Filosofias.
- Com os movimentos Protestantes e com o Renascimento, a influência da Igreja dos Bispos Romanos sofre uma tremenda perda de poder e de influência em todos os campos das atividades humanas.
Fonte
Livro: São Francisco de Assis, Miramez e João Nunes Maia, Editora Espírita Cristã Fonte Viva, 1985
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