Médiuns – Caso 2

Coletâneas Sobre a Mediunidade – Parte II

Ante a Mediunidade

No trato da Mediunidade, não andes à cata de louros terrestres, nem mesmo espere pelo entendimento imediato das criaturas → “Age e serve, ajuda e socorre sem recompensa”, como foi dito pelo Divino Mestre.

Recordemos Jesus e os fenômenos do Espírito. Ainda criança, ele se submete, no Templo, ao exame de Homens Doutos que lhe ouvem o Verbo com imensa admiração, mas a atitude dos Sábios não passa de êxtase improdutivo.

Dos enfermos que lhe ouvem o sermão do monte, buscando tocá-lo, ansiosos, na expectativa da própria cura, não se destaca um só para segui-lo até à cruz.

Dos numerosos doentes por ele reerguidos à bênção da saúde, nenhum aparece, nos instantes amargos, para testemunhar-lhe agradecimento.

Dos admiradores que o saúdam em regozijo, na entrada triunfal em Jerusalém, não emerge uma voz para defende-lo das falsas acusações, perante a Justiça dos Homens.

Somente aqueles que modificaram as próprias vidas foram capazes de refleti-lo, na glória do Apostolado:

  • Pedro, fraco, fez-se forte na Fé, e, esquecendo a si mesmo, busca servi-lo até à morte;
  • Maria de Magdala, tresmalhada por Espíritos Obsessores e imersas nos prazeres fugidios, recupera o equilíbrio e, apagando-se na Humildade, converte-se em Mensageira de Esperança e da Ressurreição;
  • Joana de Cusa, amolecida no conforto doméstico, olvida as conveniências humanas e acompanha-lhe os passos, sem vacilar no Martírio em Roma;
  • Paulo de Tarso, o outrora perseguidor, aceita-lhe a palavra amorosa e estende-lhe a Boa Nova em Suprema Renúncia;

Não detenhas, assim, qualquer ilusão à frente dos Fenômenos Medianímicos.

Encontrarás sempre, e por toda parte, muitas pessoas beneficiadas e crentes, como testemunhas convencidas e deslumbradas diante deles; mas, apenas aquelas que transfiguram a si mesmas, aperfeiçoando-se em bases de sacrifício pela felicidade dos outros, conseguem aproveitá-los no serviço constante em Louvor do Bem.

Na Mediunidade

Não é a mediunidade que te distingue, é aquilo que fazes dela.

A ação do instrumento varia conforme a atitude do servidor.

A produção revela o operário.

A pena mostra a alma de quem escreve.

O patrimônio caminha no rumo que o mordomo dirige.

Assim também na Mediunidade, seja qual for o talento que te enriquece, busca primeiro o bem, na convicção de que o bem, a favor do próximo, é o bem irrepreensível que podemos fazer.

Desse modo, ainda mesmo te sintas imperfeito e desajustado, infeliz ou doente, utiliza a Força Medianímica de que a vida te envolve, ajudando e educando, amparando e servindo, no auxilio aos semelhantes, porque o bem que fizeres retornará dos outros ao teu próprio caminho, como bênção de Deus a brilhar sobre ti.

Em Serviço Mediúnico

No exercício Mediúnico, aceitemos o ato de servir por lição das mais altas na escola do mundo.

E lembremo-nos de que assim como a vida possui trabalhadores para todos os misteres, há Médiuns, na obra do bem, para a execução de tarefas de todos os feitios. Nenhum existe maior que o outro. Nenhum está livre do erro.

Todos, no entanto, guardam consigo a bendita possibilidade de auxiliar:

  • Esse tem a “Palavra” que educa, aquele a “Mão” que alivia e aquele outro a “Pena” que consola;
  • Esse traz a “Oração” que enleva, aquele transporta a “Mensagem” que reanima e aquele outro mostra a “Força de Restaurar”;

Usa, pois, tuas Faculdades Medianímicas como empréstimo da Bondade Infinita, para que o “Orgulho” e a “Falta de Amor ao Próximo” não possam desvia-lo dos “Deveres”, que prometeu cumprir com todas as suas forças, aos seus Mentores e Guias no Mundo Espiritual antes da sua atual Reencarnarção.

Recorda que Jesus, o Medianeiro Divino, em circunstância alguma requestou a admiração dos maiorais de seu tempo, e sim passou entre os homens, amparando e compreendendo, ajudando e servindo………………….

E se houve um dom de Deus em que se empenhou de preferência aos demais, foi aquele de praticar o culto vivo do Evangelho no coração do povo, visitando em pessoa os casebres da angústia e alimentando a turba faminta, ofertando o Amor Puro aos enfermos sem nome e estendendo esperança aos que viviam sem lar.

Força Mediúnica

Considerando-se a Força Mediúnica como recurso inerente à personalidade humana, de vez que, dentro de grau menor ou maior, transparece de todas as criaturas, comparemo-la à visão comum.

Força Medianímica, desse modo, quanto acontece à capacidade visual, é dom que a vida outorga a todos.

O que difere, em cada pessoa, é o “Problema de Rumo”. Nisso reside a razão pela qual os Mensageiros Divinos insistirão, ainda por muito tempo, pela sublimação das energias psíquicas, a fim de que os frutos do bem se multipliquem por toda a Terra.

Não valem Médiuns que apenas produzam fenômenos. Não valem fenômenos que apenas estabeleçam convicções. Não valem convicções que criem apenas palavras. Não valem palavras que apenas articulem pensamentos vazios. A vida e o tempo exigem trabalho e melhoria, progresso e aprimoramento.

Mediunidade, assim, tanto quanto a visão física, representa, do ponto de vista moral, força neutra em si própria.

A importância e a significação que possa adquirir dependem da orientação que se lhe dê.

Por isso mesmo, os amigos desencarnados, sempre que responsáveis e conscientes dos próprios deveres diante das Leis Divinas, estarão entre os homens exortando-os à bondade e ao serviço, ao estudo e ao discernimento, porquanto a Força Mediúnica, em verdade, não ajuda e nem edifica quando “esteja distante da Caridade” e “ausente da Educação”.

Obsessão e Jesus

Cristãos eminentes, em variadas Escolas do Evangelho, asseveram na atualidade que o problema da obsessão teria nascido no Culto da Mediunidade, à Luz da Doutrina Espírita, quando na verdade a Doutrina Espírita é o recurso para a supressão deste tipo de verdadeiro flagelo.

O testemunho dos Apóstolos é sobejamente inequívoco. Relata Mateus que os Obsidiados Gerasenos chegavam a ser ferozes; refere se Marcos ao Obsidiado de Cafarnaum, de quem desventurado Obsessor se retira clamando contra o Senhor em grandes vozes; narra Lucas o episódio em que Jesus realiza a cura de um jovem lunático, do qual se afasta o perseguidor invisível, logo após arrojar o doente ao chão, em convulsões epileptóides; e reporta-se João a Israelitas positivamente obsidiados, que apedrejam o Cristo, sem motivo, na chamada Festa da Dedicação.

Entre os que lhe comungam a estrada, surgem Obsessões e Psicoses diversas. Maria de Magdala, que se faria a Mensageira da Ressurreição, fora vitima de Entidades perversas. Pedro sofria de Obsessão periódica. Judas era enceguecido em Obsessão fulminante. Caifás mostrava-se Paranóico. Pilatos tinha crises de medo.

A vista disso, ante os Escarnecedores de todos os tempos, eduquemos a Mediunidade na Doutrina Espírita, porque só a Doutrina Espírita é luz bastante forte, em nome do Senhor, para clarear a razão, quando a mente se transvia, desgovernada, sob o “Fascínio das Trevas”.

Obsessores

Obsessor, em sinonímia correta, quer dizer “aquele que importuna”. E “aquele que importuna” é, quase sempre, alguém que nos participou a convivência profunda, no caminho do erro, a voltar-se contra nós, quando estejamos procurando a retificação necessária.

No procedimento de semelhante criatura, a antipatia com que nos segue é semelhante ao vinho do aplauso convertido no vinagre da critica. Daí, a necessidade de paciência constante para que se lhe regenerem as atitudes.

Recebe, pois, os irmãos do desalinho moral de ontem com Espírito de paz e de entendimento. Acusá-los, seria o mesmo que alargar-lhes a ulceração com novos golpes. Crivá-los de reprimendas, expressaria indução lamentável a que se desmereçam ainda mais.

Revidar-lhes a crueldade, significaria comprometer-nos em culpas maiores. Condená-los, é o mesmo que amaldiçoar a nós mesmos, de vez que nos acompanham os passos, atraídos pelas nossas imperfeições. Aceita-lhes a Injúria e remoque, violência e desprezo, de ânimo sereno, silenciando e servindo.

Nem brasa de censura, nem fel de reprovação. Obsessores visíveis e invisíveis são nossas próprias obras, espinheiros plantados por nossas mãos.

Endereça-lhes, assim, a “Boa Palavra” ou o “Bom Pensamento”, sempre que preciso, mas não lhes negues paciência e trabalho, amor e sacrifício, porque só a força do exemplo nobre levanta e reedifica, ante o Sol do futuro.

Mediunidade e Privilégios

Todos estamos concordes em que a Doutrina Espírita revive agora o Cristianismo puro; no entanto, há muita gente que lhe estranha a organização, sem os chamados valores nobiliárquicos que assinalam a maioria das instituições terrestres.

Entretanto, não há uma só frase na Codificação Kardequiana em que se recomende tratamento especial a esse ou àquele médium porque fale com mestria ou materializa desencarnados, porque transmita força curativa ou psicografe livros renovadores.

A preocupação fundamental dos Emissários Divinos, na formação de nossos princípios, foi, aliás, edificar moralmente a instrumentação mediúnica em bases de simplicidade e desinteresse, para que ela “corresponda às vistas da Providência”.

Não existem, desse modo, Médiuns Maiores ou Médiuns Menores, favorecendo, entre nós, a constituição de prerrogativas e castas.

Tanto na mensagem do Evangelho, quanto na mensagem do Espiritismo, o que prevalece, acima de tudo, é a responsabilidade para cada um de nós.

Hoje, não podemos precisar de que modo desencarnarão os Médiuns Espíritas ocupados em tarefa libertadora das consciências, mas é importante que vivam atendendo aos próprios deveres, para que recebam corretamente a morte, quando não seja na “Palma do Heroísmo”, pelo menos na “Dignidade do Trabalho Edificante”.

Médiuns Desertores

Médiuns Desertores não são apenas aqueles que deixam de transmitir com fidelidade sinais e palavras, avisos e observações da Esfera Espiritual para a Esfera Física. De criatura a criatura flui a corrente da vida e todos nós, Encarnados e Desencarnados de qualquer condição, estamos conclamados a lutar pela vitória do Bem Eterno.

Desertores são igualmente:

  • Os que pregam virtudes religiosas e sociais, acolhendo-se em trincheiras de usura;
  • Os que transformam as chaves da Ciência em gazuas douradas;
  • Os que levantam casas de socorro, desviando recursos que deveriam ser aplicados para sanar as dores do próximo;
  • Os que aviltam a inteligência, vendendo emoções na feira do vício;
  • Os que se afogam lentamente no Álcool ou nas Drogas;
  • Os que matam o tempo para que o tempo não lhes dê responsabilidade;
  • Os que julgam comprar o Céu, entregando um vintém ao serviço da caridade e reservando milhões para enlouquecer os próprios descendentes, nos inventários de sangue e ódio;
  • Os que condenam e amaldiçoam, ao invés de compreender e abençoar;
  • Os que perderam a simplicidade e precisam de uma torre de marfim para viver;
  • Os que se fazem peso morto, dificultando o curso das boas obras…

Deserção! Deserção! Se trazemos semelhante “Chaga”, corrigenda para nós!……………………..

E se a vemos nos “Outros”, compaixão para eles!………………………….

Formação Mediúnica

Anotando a formação mediúnica, comparemo-la aos serviços do solo. A terra desdobra recursos para sustentação do corpo. A Mediunidade cria valores para alimento do Espírito.

Não há desenvolvimento Mediúnico, para reallzações sólidas, sem o aprimoramento da individualidade Mediúnica.

No caso da terra, o lavrador será mordomo vigilante. No caso da Mediunidade, o Médium será o zelador incansável de si mesmo.

E Médium algum se esqueça de que é na terra boa abandonada que a praga e a serpente, o espinheiro e a tiririca proliferam mais e melhor.

Mediunidade e Imperfeição

Se tens a consciência desperta, perante as necessidades da própria alma, entenderás facilmente que a Mediunidade é recurso de trabalho como qualquer outro que se destine à edificação.

Por enquanto, no mundo, não há médiuns perfeitos como não existem criaturas humanas perfeitas.

Cada instrumento medianímico, tanto quanto cada pessoa terrestre, carrega consigo determinadas provas e problemas determinados.

A Mediunidade é ensejo de serviço e aprimoramento, resgate e solução.

Mediunidade e Alienação Mental

A Manifestação é da instrumentalidade. O erro é da criatura. A Faculdade Mediúnica não pode, assim, responsabilizar-se pela atitude daqueles que a utilizam nos atos de ignorância e superstição, maldade e fanatismo.

E qual acontece aos olhos e aos ouvidos, às mãos e ao sexo que dependem do comando mental, a mediunidade, acima de tudo, precisa levantar-se e esclarecer se, edificar-se e servir, com bases na educação.

Fonte

Seara dos Médiuns – Emmanuel e Chico Xavier, 1961

Caso deseje, você também pode baixar este artigo em formato de pdf clicando no botão abaixo: